Ausências

Ausências
Hoje ao acordar senti falta da minha pátria
Não a verde-amarela
Mas, a dos meus sonhos e devaneios
Cansei do cheiro tupiniquim
das cores verdejantes
dos acarajés e da pimenta
que ainda arde
Quero meus rios onde rio
minhas paragens
onde possa pousar ao som dos forasteiros
Saudades do estrangeiro
Tristeza no nacional
Não apenas por glorificarem o mal
Nem pelo povo que ainda soletra
Só por solidão
Esta terra não cabe o silêncio
Os murmúrios
a tarde sonolenta
o dia que nasce noite
nem as noites dos meus dias
Nesta terra,
eu sou gente,
na outra não.
Silvia Barboza/2000

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