Tudo que escrevemos

Isto sinto e isto escrevo Perfeitamente sabedor e sem que não veja Que são cinco horas do amanhecer e que o sol , que ainda não mostrou a cabeça Por cima do muro do horizonte, Ainda assim já se lhe vêem as pontas dos dedos Agarrando o cimo do muro Do horizonte cheio de montes baixos. Fernando Pessoa

sexta-feira, abril 14, 2006

Ausências




Ausências
Hoje ao acordar senti falta da minha pátria
Não a verde-amarela
Mas, a dos meus sonhos e devaneios
Cansei do cheiro tupiniquim
das cores verdejantes
dos acarajés e da pimenta
que ainda arde
Quero meus rios onde rio
minhas paragens
onde possa pousar ao som dos forasteiros
Saudades do estrangeiro
Tristeza no nacional
Não apenas por glorificarem o mal
Nem pelo povo que ainda soletra
Só por solidão
Esta terra não cabe o silêncio
Os murmúrios
a tarde sonolenta
o dia que nasce noite
nem as noites dos meus dias
Nesta terra,
eu sou gente,
na outra não.
Silvia Barboza/2000