Tudo que escrevemos

Isto sinto e isto escrevo Perfeitamente sabedor e sem que não veja Que são cinco horas do amanhecer e que o sol , que ainda não mostrou a cabeça Por cima do muro do horizonte, Ainda assim já se lhe vêem as pontas dos dedos Agarrando o cimo do muro Do horizonte cheio de montes baixos. Fernando Pessoa

sexta-feira, abril 14, 2006

O Esvaziar D´Alma

O Esvaziar D´Alma

Términos são plurais
Para o nosso amor singular
Singelo, feito de esquinas, de povo

De aperto de mãos
Sincero, mas reticente
Movido a anseios
Nossos corpos suados
Hoje são levados pelas correntezas do mundo
Sinto sua falta eternamente.
Amanhã, nem sei .
Talvez agora.
Novamente estranhos
Até quando será necessário
Esse ir e vir ao caos
Para que possamos ser um
Viver sem te tocar
É o mesmo que
Remar rumo à imensidão, ao vazio
Ao desejo insaciável
Que só sua mão repousaria e
só seus olhos fariam crescer minha alma
no espanto do encantamento.

Silvia Barboza
2004