Tudo que escrevemos

Isto sinto e isto escrevo Perfeitamente sabedor e sem que não veja Que são cinco horas do amanhecer e que o sol , que ainda não mostrou a cabeça Por cima do muro do horizonte, Ainda assim já se lhe vêem as pontas dos dedos Agarrando o cimo do muro Do horizonte cheio de montes baixos. Fernando Pessoa

sábado, abril 15, 2006

O vegetar da consciência

O vegetar da consciência
Badaladas no meu coração
Em ritmos estridentes
Deixando–me em órbita
Desejos reprimidos, noites mal dormidas
Ânsias, anseios
Tudo em sobressaltos
Subtraindo emoções
Retiro-me dos assédios
Presenteio-me com a solidão dos dias passados a limpo
Remeto-me ao esconderijo secreto
Que já me salvou de tantos desatinos
Onde reino absoluta, ou vegeto
nas entressafras dos meus compromissos.
Silvia Barboza